RELAÇÃO ENTRE O ÍNDICE DE CHOQUE NA ADMISSÃO E O DESFECHO CLÍNICO EM PACIENTES SUBMETIDOS À ESPLENECTOMIA POR TRAUMA NO HOSPITAL DE EMERGÊNCIA E TRAUMA DE CAMPINA GRANDE
Palavras-chave:
Esplenectomia, Choque Traumático, Avaliação de Resultados em Cuidados de SaúdeResumo
Introdução: O trauma abdominal fechado constitui uma das principais emergências cirúrgicas, sendo o baço um dos órgãos mais frequentemente acometidos, o que frequentemente exige a realização de esplenectomia. O índice de choque (IC), calculado pela razão entre a frequência cardíaca e a pressão arterial sistólica, é amplamente utilizado como ferramenta rápida para avaliação hemodinâmica inicial. Objetivo: Analisar a relação entre o índice de choque na admissão e os desfechos clínicos de pacientes submetidos à esplenectomia por trauma em um hospital de referência. Metodologia: Trata-se de um estudo retrospectivo, documental, de abordagem quantitativa e caráter analítico. Foram analisados 62 prontuários de pacientes previamente hígidos, com idades entre 17 e 66 anos, submetidos à esplenectomia por trauma no período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024. Foram coletadas informações referentes aos sinais vitais na admissão, tempo de internação, necessidade de transfusão sanguínea, reoperação e desfecho clínico. Resultados: A análise estatística incluiu testes paramétricos e não paramétricos, regressão linear e correlação de Spearman. O índice de choque médio foi de 0,828. Embora pacientes que evoluíram a óbito tenham apresentado maior frequência cardíaca, maior necessidade transfusional e menor tempo de internação, o índice de choque não demonstrou associação estatisticamente significativa com os desfechos clínicos. Também não foi observada correlação significativa entre o IC e o volume de sangue transfundido. A análise de regressão linear indicou que variáveis como sexo, reoperação e desfecho clínico não foram preditores significativos do índice de choque. Conclusão: O índice de choque, embora útil na avaliação inicial da instabilidade hemodinâmica, não se mostrou eficaz, de forma isolada, na predição de desfechos clínicos em pacientes submetidos à esplenectomia por trauma. Destaca-se a importância de abordagens clínicas integradas e a necessidade de estudos com amostras maiores para aprimorar a estratificação de risco nesses pacientes.
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